Eu sou a Maria Júlia Alves, jornalista, social media, assessora de imprensa e estou estreando essa coluna com uma reflexão que vivo praticamente todos os dias: estamos vivendo para postar ou postando para mostrar que vivemos?
Recentemente vivi um dos shows mais incríveis da minha vida. Pude presenciar mais uma vez o The Weeknd se apresentando e entregando um verdadeiro espetáculo! Estátua dourada gigantesca, telão incrível para que todos do estádio Nilton Santos pudessem ver o show, apresentação de vários dançarinos no palco, entre outras atrações.

Sim, são muitos elementos visuais e sonoros que prendem a nossa atenção para esse espetáculo incrível e mesmo assim o que mais presenciei foram celulares fotografando e filmando tudo. É praticamente uma coreografia: a música começa, a plateia levanta os celulares em uma reação imediata. Eu ali, no meio da imensidão de gente contemplando aquele show, me peguei às vezes vendo pela tela do celular de alguém na frente que estava procurando o melhor ângulo para sua filmagem.
É claro que eu também filmei partes do show mas a pergunta que me vem é: a gente quer realmente viver aquela experiência ou quer mostrar que esteve lá? Estamos saboreando a vida real ou apenas colecionando cenários para uma felicidade editada?


Eu tenho certeza que você já deve ter passado por isso também. Seja num show, indo tomar um café na rua ou fazendo uma viagem: nós precisamos registrar tudo. Mas será que a memória que nós teremos vai prolongar com um tempo ou vai sumir como story em 24 horas?
O que levaremos da verdadeira memória afetiva? Será que se a rede social sumisse hoje, você consegue ressuscitar uma emoção que se permitiu viver no “ao vivo”?

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