Coluna Além da Tela: Você sabe quem te acompanha nas redes sociais?

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Muito se fala sobre o que devemos postar nas redes sociais: o que precisamos fazer para manter a atenção do seguidor; como postar ou o que postar; e o comum: estar SEMPRE presente.

Mas o quanto mais postamos, mais devemos continuar postando. Eu sei que parece ‘’demais” mas vou explicar.

Na era da conexão instantânea, compartilhar tornou-se um sinônimo involuntário de proximidade. O seguidor que te acompanha, se sente íntimo da sua vida, conhece seus hábitos e acompanha cada passo que você compartilha. Isso tudo gera uma pressão silenciosa de expor nossa rotina, como se o silêncio fosse um distanciamento social e a exposição, uma prova de afeto.

Do outro lado da tela, o público assume um papel de voyeur digital: Exige-se uma “vida real”, mas consome-se uma imagem como se fosse um reality show pessoal. Esse papel tem um risco gigante, onde sua vulnerabilidade será aplaudida ou condenada sobre um olhar invisível que quase nunca vai curtir ou compartilhar, mas estará sempre te acompanhando.

Pensando em toda essa dinâmica, fiz um experimento comigo mesma esse ano: iria fazer a primeira viagem internacional sozinha. Além do medo, ansiedade, expectativa, ainda tinha a minha própria cobrança em aproveitar cada momento ali, estar inteira para aquela experiência. Outro fator que ajudou muito isso foi estar em um lugar sem conectividade, sem internet, sem notificações. Todos os passeios eram de contemplação da natureza e isso não vem acompanhado de um sinal de wi-fi.

Por isso, registrei tudo, fiz vídeos e fotos, documentei toda a minha experiência. Aquilo era um registro pessoal que se fosse tomado pela preocupação em “postar ao vivo o que fazia”, iria comprometer a minha entrega e conexão com aquele lugar.

Estamos acostumados em ver os registros em tempo real em muitos perfis e iisso tem valor para trabalhos, eventos, encontros profissionais, mas quando é a sua vida virando um reality show, isso te dá alegria ou te preocupa?

Calma, também adoro acompanhar as viagens e experiências das pessoas. Trabalho e vivo a rede social todos os dias, mas a reflexão que sempre me faço é: a experiência que quero viver é para eu aproveitar o momento ou para gerar engajamento?

No fim, todos nós somos espectadores das pessoas que seguimos e protagonistas de um recorte de uma vida vigiada.

Você prefere ser o espectador ou o protagonista?


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