Muda essa história, Tijuca! Parceria de Lico Monteiro, Samir, Adnet, entre outros é a campeã na Unidos da Tijuca

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A Unidos da Tijuca escolheu na madrugada deste domingo o seu hino oficial para o Carnaval 2026. Venceu a parceria de Lico Monteiro, Samir Trindade, Leandro Thomaz, Marcelo Adnet, Marcelo Lepiane, Telmo Augusto, Gigi da Estiva e Juca. O samba escolhido servirá de trilha sonora para o enredo “Carolina Maria de Jesus “, uma homenagem à escritora, memorialista, compositora e multi-artista mineira, autora do best-seller “Quarto de Despejo – O Diário de uma favelada”, considerado uma das mais revolucionárias e impactantes obras da literatura brasileira. A Tijuca fechará a segunda-feira de desfiles no Carnaval 2026.

Durante a noite, a Unidos da Tijuca escreveu uma nova página de sua história quase centenária. A escola realizou pela última vez uma final de samba enredo na histórica quadra do Clube dos Portuários, sua casa por mais de 30 anos. Segundo a escola,  Carolina Maria de Jesus não é apenas um enredo: é o coração pulsante da Tijuca.

Confira o samba aqui

Para os compositores, o samba vencedor não se limita a narrar a vida de uma escritora. Ele encarna a menina que virou verbo, o olhar da fome transformado em denúncia, a fé que se faz arma. Traz no seu tecido a realeza escondida nas vielas, o barraco que vira literatura, as Marias que viram seus filhos crucificados e ainda assim levantam a cabeça. Cada frase é uma convocação silenciosa para que a Tijuca reconheça seu lugar, lute e mude a sua própria história.

Fotos de Alex Maia

Confira a letra do samba vencedor.

COMPOSITORES: Lico Monteiro, Samir Trindade, Leandro Thomaz, Marcelo Adnet, Marcelo Lepiane, Telmo Augusto, Gigi da Estiva e Juca.

Eu sou filha de uma dor

Que nasceu no interior de uma saudade

Neta de vô preto velho

Que me ensinou os mistérios

Bitita, cor que sonhou liberdade

Me chamo Carolina de Jesus

Dele herdei também a cruz

Olhem em mim, eu tenho as marcas

Me impuseram sobreviver

Por ser livre nas palavras

Condenaram meu saber

Fui a caneta que não reproduziu

A sina da mulher preta no Brasil

Os olhos da fome eram os meus

Justiça dos homens não é maior que a de Deus!

Meu quarto foi despejo de agonia

A palavra é arma contra a tirania!

Sonhei sobre as páginas da vida

Ilusões tolhidas por um sistema algoz

Que tenta apagar nossa grandeza

Calar a realeza que ainda vive em nós

Meu barraco é de madeira

Barracões são do Borel

Onde nascem Carolinas

Não seremos mais os réus

Por tantas Marias

Que viram seus filhos crucificados

Nas linhas da vida, verbo na ferida, deixei meu legado…

Meu país nasceu com nome de mulher

Sou a liberdade… Mãe do Canindé!

Muda essa história, Tijuca

Tira do meu verso a força pra vencer!

Reconhece o seu lugar… e luta

Esse é o nosso jeito de escrever!


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