Neste domingo foi a primeira noite de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Rio. Unidos de Padre Miguel, Imperatriz, Viradouro e Mangueira brilharam na Marquês de Sapucaí.
. As religiões de matriz africanas e afro-indígenas foram o centro das apresentações.
A escola que abriu os desfiles foi a Unidos de Padre Miguel, a grande vencedora da Série Ouro de 2024 e que retorna ao Grupo Especial depois de mais de 50 anos, já que a última participação foi em 1972. A escola fez bonito, com um desfile de grande qualidade, que o credencia a ficar no especial. Ponto negativo foi o som do sambódromo, muito prejudicado, o que comprometeu a percepção do público ao samba.
A Imperatriz veio logo em seguida. O enredo da escola de cores verde, branco e dourado – Ómi Tútu ao Olúfon – Água fresca para o senhor de Ifón – trata da cerimônia das águas de Oxalá, baseada em uma mitológica viagem do orixá, rei de Ifón, ao reino do amigo Xangô, durante a qual sofreu por ações vingativas cometidas por Exu. A escola passou bem, empolgou o público e os jurados e está na briga pelo campeonato.
A atual campeã, Unidos do Viradouro, veio logo em seguida. terceira escola a desfilar foi a atual campeã, Unidos do Viradouro, escola vermelha e branca de Niterói, no grande Rio, que busca seu quarto título com o enredo Malunguinho: o Mensageiro de Três Mundos.
O enredo homenageia o líder quilombola do Catucá, em Pernambuco, João Batista, conhecido como Malunguinho, perseguido e morto por autoridades imperiais em 1835. Na religião Jurema, Malunguinho, evocado no início das cerimônias, é a única entidade que pode ser chamada de Mestre, Caboclo e Exu.
O desfile contou com diversos recursos como adereços em neon, que brilhavam no escuro, além de carros alegóricos com água, fogo e fumaça.
Ao encerrar o desfile, Duda Almeida, que está grávida da primeira filha, não conteve as lágrimas. “Espero que a gente consiga alcançar o bicampeonato, merecemos muito. Eu estou muito feliz de ter atravessado essa avenida. Grávida da minha primeira filha, sou a terceira geração da minha família que desfila grávida. É muita emoção. Estou muito feliz de ter conseguido”.
Em um dos ensaios da escola, ela publicou nas redes sociais: “Agora, Angela pode dizer que desfila desde a barriga da mãe dela!”. Duda desfilou na ala Chama de Liberdade, Fogo da Justiça e Fagulha Primordial, que contou com três destaques performáticos representando o calor da restauração e justiça. Ela representou o Fogo de Justiça.
O desfile contou com uma ala para homenagear a nação Jurema, a ala Malungueiros da Jurema. Entre os homenageados estava o coordenador da rede Jurema de Pernambuco, Jorge Arruda.
“Estou encantado, feliz e gratificado, porque é uma resistência quilombola, é uma resistência negra, de educação antirracista”, disse.
“O desfile foi surpresa porque nós não sabíamos, nem a roupa nós sabíamos, foi tudo muito secreto, e eu ainda estou com as pernas tremendo. É grandioso o carnaval, é grandioso ver Malunguinho porque há 25 anos nós começamos esse trabalho, que hoje a gente vê coroado na Sapucaí”.
Em entrevista a reportagem, o presidente Marcelinho Calil contou que o desfile foi a soma de esforços do ano inteiro da escola
“Esse trabalho que chega hoje na avenida é a soma do que a gente fez durante o ano e viemos para vencer, mais uma vez”, afirmou.
Para encerrar a noite, a Estação Primeira de Mangueira veio com o enredo À Flor da Terra – No Rio da Negritude Entre Dores e Paixões fala da persistência, no Rio de Janeiro, da cultura bantu, comum a diversos povos da África subsaariana, como habitantes do Congo, de Angola e Moçambique. A ideia do enredo é exaltar essa cultura, que costuma ser relegada, apesar de grande parte dos escravos que aportaram no Brasil ser bantu.
Todas as escolas cumpriram o tempo determinado para os desfiles, que é de, no máximo, 80 minutos. A Mangueira terminou o desfile com o tempo cravado em 79 minutos. Ao menos três pessoas precisaram ser socorridas na dispersão por terem passado mal por causa do calor ou mesmo do peso dos figurinos.
Neste domingo foi a estreia do novo modelo de quatro desfiles por noite, durante três dias de apresentação do Grupo Especial. Até o ano passado, eram seis escolas por noite em dois dias, domingo e segunda-feira. Os desfiles começaram às 22h e terminaram por volta das 4h desta segunda.
As escolas são avaliadas em nove quesitos: bateria, samba-enredo, harmonia, evolução, enredo, alegorias e adereços, fantasias, comissão de frente e mestre-sala e porta-bandeira.
O resultado será divulgado na quarta-feira (5), quando será conhecida a escola campeã.
Os desfiles seguem na noite de hoje, com Unidos da Tijuca, Beija-Flor de Nilópolis, Acadêmicos do Salgueiro e Unidos de Vila Isabel. Nesta terça se apresentam Mocidade Independente de Padre Miguel, Paraíso do Tuiuti, Acadêmicos do Grande Rio e Portela.
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